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Corpo em forma

Wair de Paula, Jr.



Quando eu morava no Rio, em frente à Lagoa Rodrigo de Freitas, entre Maria Quitéria e Garcia D´Avila, era inevitável : impossível não usufruir de uma das mais belas paisagens urbanas do mundo, com seus aproximadamente 7.500 metros de perímetro. Além de um convite para estar em conexão com aquela beleza natural, era também a melhor das oportunidades de manter o corpo em forma (exceto nos dias de chuva, nunca fui tão animado assim...). Com uma pista daquelas, e um cenário daqueles, a caminhada/corrida era quase que obrigatória, com as benéficas conseqüências que esta atitude provocava: um corpo mais em forma, uma cor mais saudável, e a auto-estima que este conjunto de resultados provocava. Eu até fazia academia, na Lagoa mesmo – era o complemento perfeito, e minha circunferência abdominal e o bronzeado leve me faziam sentir muito, muito bem.


Quando voltei para São Paulo, constatei que seria impossível continuar com aquela performance diária de caminhadas, sem ter que pegar um carro para chegar a algum lugar que – nem de longe – fazia jus à Lagoa...E, comentando com um cliente, ele me disse : estou montando uma academia em casa, vai lá ver. E eu fui, para ter o choque de ver uma academia neoclássica, uma versão mirim da foto acima (mas com lustre de cristal e piso de mármore), assustadora. Muita cortina, muito ar-condicionado, lustre de cristal...e eu chocado. Como se poderia tentar trazer o universo fitness para dentro da decoração, que não fosse aquele cenário medonho que eu estava vendo?


 
Aí pesquisei, e encontrei algumas soluções mais adequadas ao meu estilo e necessidade. Uma ótima esteira ergométrica (poderosa mesmo...) colocada no piso superior do apartamento em que morava, alguns pesos, uma bola de academia como a mostrada na foto acima – tudo especificado de acordo com a sugestão de um personal trainer de confiança – e o resultado foi que fiquei cinco ou seis anos mantendo a forma (e a saúde, claro!) apenas caminhando e correndo na esteira, usando os pesos , alguns elásticos e a bola citada,  e muitas vezes eu caminhava durante um bom tempo, vendo um filme no telão em frente à esteira. 
 


Naquela época, ainda não existia o modelo “crossfit” de atividade física (o que seguramente originou o espaço minimalista acima). Senão, eu poderia ter colocado umas cordas imensas naquela área, um saco de boxe – mas não ia colocar pneus de caminhão ou algo assim, realmente não faz parte de minha personalidade levar um pneu de um lado para o outro para depois voltar fazendo o mesmo...rs


 
Atualmente, existem marcas (e conseqüentemente lojas) de aparelhos para montar sua academia particular que têm um design mais preocupado com a estética, e não apenas com a função. Algumas destas marcas podem vir a custar o preço de um corpinho todo novo, pois são grifes do segmento – mas valem cada centavo.
 


Posso estar enganado, mas acredito que com algumas máquinas multi-função, hoje se consegue montar uma academia que atende a um grande número de atividades, com poucos aparelhos. Claro que a orientação de um profissional da área é fundamental, bem como a presença de um profissional da arquitetura/decoração. Nada mais aflitivo e pouco atraente do que uma academia em um espaço totalmente fechado e com o pé direito baixo.


 
Evite o luxo ostentatório do espaço citado no começo deste post, com mármores, cristais e cortinas. Pense num espaço prático, com acústica adequada, de preferência com entrada de luz natural e aberturas para ventilação. Nada muito chamativo, um espaço neutro, com poucos elementos decorativos, mas de efeito – uma parede de madeira, um espelho grande, persianas como as da foto acima – tudo escolhido com precisão para melhores resultados, tanto do espaço quanto da atividade que lá será feita.


 
Dependendo da proposta, ou da necessidade, até um espaço de passagem pode tornar-se uma pequena academia, como a da foto acima. Iluminação precisa, nem exagerada nem soturna, também é um fator importante num projeto com este fim.


 
Claro que, se o orçamento e o espaço permitirem, você pode se dar ao luxo de um ambiente como o acima – que, para os meus olhos de leigo, se assemelha um pouco a uma contemporânea e luxuosíssima sala de tortura. Não sei o porquê, mas acredito que o Marquês de Sade, que apesar de tudo era extremamente elegante, adoraria este ambiente...
 

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