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Presépios Contemporâneos

Wair de Paula, Jr.



Há alguns anos atrás, o Museu de Arte Sacra de São Paulo – um museu pequeno, instalado em um convento, mas com acervo maravilhoso (onde tem uma das imagens sacras que mais adoro, uma Nossa Senhora das Dores de autoria de Aleijadinho, que sempre me impressiona. E olha que eu não sou das pessoas mais religiosas...) – me convidou para fazer um presépio nas instalações deste – eu e mais 34 pessoas, de todas as áreas. Alguns fizeram presépios com peças do próprio Museu, outros optaram por outros caminhos, como eu.

 

Optei por um presépio em barro, de autoria de um artista popular pernambucano, cujo nome infelizmente não lembro. E eu quis uma referência agreste – portanto, fui atrás de cactos e mandacarus pequenos, para montar a cena. Acabei doando este presépio para o acervo do Museu, que tem uma coleção expressiva sobre este tema, e – salvo os inúmeros espinhos que ficaram nas minhas mãos ao montar este cenário – foi um prazer participar deste evento.
 


Foram vários tipos de presépio, do mais tradicional ao mais moderno  - nada como esse acima, da marca italiana Alessi, em metal polido e dourado, design moderno a trabalho da tradição religiosa , em belo resultado.

 

Tinha até um presépio japonês (não era este da foto, mas era parecido). E é interessante ver como uma manifestação religiosa pode se adaptar a outras culturas...claro que isto foi bem antes do conceito de “apropriação cultural”, hoje provavelmente este presépio seria execrado, infelizmente.
 


Falando em apropriação cultural...o que dizer deste presépio em formato de Matrioska, o brinquedo típico russo (um boneco fica dentro do outro, que por sua vez fica dentro do maior, que por sua vez fica...você já entendeu.). Eu achei super bonitinho, e prático – um presépio inteiro dentro da figura de José. Só faltaram os animais...

Mas qual é a origem do presépio de natal?

De acordo com algumas fontes históricas, o primeiro presépio foi montado por São Francisco de Assis, em 1223, com autorização papal. Feito em argila, a idéia era montar um cenário que explicasse, de forma simples, o que era e qual seria o significado do nascimento de Jesus Cristo. E esta representação, que usou um boi e um jumento vivos, fez barulho – repercutiu em toda a Itália, o que fez com que essa tradição tomasse força. Mas foi apenas a partir do século XVIII que os presépios entraram nas casas, e se tornaram o que hoje conhecemos.


 
São Francisco de Assis não poderia imaginar, jamais, que alguns séculos depois sua proposta estaria tão difundida que seria cooptada por uma marca de brinquedos: sim, a Lego oferece todas as pecinhas e personagens para você montar seu presépio particular, com direito a manjedoura e fogueira...


Claro que sempre tem alguém que subverte tudo – como é o caso do autor do presépio acima, com os Reis Magos ultra descolados, José tirando uma selfie, e a vaquinha com marca do patrocinador.  O que será que trariam os reis magos nos pacotes, para substituir incenso , mirra...?
 


Com criatividade e bom gosto, até materiais prosaicos podem se transformar num belo presépio. Este, acima, é a prova viva disto.

 
Eu lembro-me de que, quando criança, minha mãe tinha um presépio imenso, acho que era de porcelana (pois a cada ano tinha um braço quebrado, um corpo decapitado...rsrss), e lembro direitinho do trabalho que dava montar, desmontar, emblar tudo novamente para no ano seguinte retomar toda a mesma função. Não sei onde foi parar aquele presépio, mas lembro dos carneirinhos minúsculos que eu só via na época do Natal, por mais que quisesse misturá-los ao meu Forte Apache, com total reprovação materna.

E você,  já montou seu presépio este ano? Fora este blog, a internet está cheia de ótimas ideias...está esperando o quê?

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