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Réveillon

Wair de Paula, Jr.



Tá...é apenas uma passagem do último dia de um mês para o primeiro do outro. Mas o costume de celebrar a chegada de um novo ciclo no calendário não é novo – data de mais de 4 mil anos... 

Porém, naquela época, em vez de um “ano novo”, a passagem do tempo era contada pelas estações do ano, geralmente entre o final do inverno e o começo da primavera, que era justamente a época em que se iniciavam novas safras de plantação. Portanto, a festa de passagem não era comemorada entre 31/12 e 01/01 – mas sim entre os dias 22 e 23 de março, data do início da primavera no Hemisfério Norte.



Mas, no ano de 1582, foi instituído o calendário gregoriano (pelo papa Gregório XIII) no lugar do antigo calendário Juliano, quando o primeiro dia do ano passou a ser 1º de Janeiro. E daí para as celebrações como hoje a conhecemos, foi um pulo...não de sete ondas, pois isso é praticamente um ritual carioca.
 


Mas...e a palavra “réveillon”? Na verdade, é uma palavra de origem francesa, que deriva do verbo réveiller, que significa “despertar”. Originalmente, esse termo designava o jantar da noite de Natal, mas passou a ser utilizado para denominar a ceia à véspera do Ano Novo. Réveiller remonta ao latim “vigilare”, de estar atento, em vigília. Portanto, Réveillon significa, em princípio, a vigília que fazemos à espera de um novo ano, muito embora seu significado mais profundo seja o desejo renovado de um ano com mais saúde, energia e vigor – ou, em uma única palavra, vida.


Hoje, alguns rituais têm como objetivo atrair prosperidade e dinheiro – como usar a cor amarela na passagem do ano, ou comer romãs e lentilhas. Mas isso é apenas uma derivação dos cultos de quatro mil anos atrás, cujas celebrações similares pediam por alimento e fartura. Claro que estes ritos são baseados em puras superstições, desenvolvidas ao longo dos anos, mas – na dúvida – vou ter romãs e lentilhas na minha ceia do final do ano.

 

Estou pensando em montar a mesa toda em preto, prata e branco – tenho uns pratos nestas cores, pintados por minha querida amiga Edith Farjalla, e mais uma pequena série de acessórios que vão combinar com esta tríade cromática. Claro que não vou me dar ao trabalho de comprar uma toalha de mesa prateada como a acima, mas as flores utilizadas nesta mesa serão perfeitas para minha composição – e, além de serem lindas, são baratíssimas...

 

Este ano passarei a noite de réveillon em casa, somente com cara metade e Leopoldo, meu schnauzer. Um jantar bem feito, com poucos elementos (sem esquecer a lentilha, claro), ótima bebida, frutas e uma sobremesa calórica em companhia de quem se ama é o melhor dos cenários para fechar um ciclo e iniciar outro.

 

Portanto...que venha 2020, cheio de boas surpresas, muita saúde, dinheiro também é bom, e que a humanidade perceba que a diferença de “ego” para “cego” é uma consoante, e se disponha a ser mais solidária, mais generosa, e, conseqüentemente, mais feliz. 

No final das contas, 2019 foi bom. Mas que 2020 seja, no mínimo, o Máximo! 
FELIZ ANO NOVO!

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