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Olhar o teto

Wair de Paula, Jr.

Até recentemente, depois de anos de tetos coloridos nos palácios, palacetes e igrejas, os tetos das residências ou eram imaculadamente brancos ou beige-claro, praticamente uma hegemonia. Tirando os tetos de quarto de criança e ou bebê, que podia conter nuvenzinhas ou estrelas que brilhavam ao apagar das luzes, o que se via era sempre – sempre – o teto claro, branco, inócuo. Mas a criatividade dos profissionais da decoração subverteu esta história, e hoje podemos ver tetos desenhados, coloridos, em cores que habitualmente não freqüentavam estes espaços. Pensei nisto ao ver o quarto cuja foto abre este post, projeto do escritório de Paola Ribeiro para uma mostra paulista. O Verde folha intenso conferiu a este espaço uma elegância e senso de drama impares, e a iluminação precisa e o uso de elementos como madeira e um toque aqui e outro acolá de uma cor mais quente deixou o ambiente elegante, moderno e ainda assim ousado – e altamente desejável. Confira outro ângulo deste espaço:



Procurando pela internet, deparei-me com espaços que também tinham tetos coloridos, mas..,este é um recurso que exige domínio da iluminação e do projeto inteiro, para não ficar muito estranho. O arquiteto Toninho Noronha pintou o teto da sala de jantar da última Casa Cor São Paulo de azul acinzentado, com resultado sóbrio e moderno.


 
Achei adorável este projeto para um quarto de jovem, cujo amarelo “escorre” pelas paredes. Lúdico, inteligente e absolutamente original.


 
Ainda na praia do amarelo, que facilita a iluminação, um quarto de criança com poucas cores mas cujo elemento central – o teto – ilumina e aquece o ambiente.


 
A seguir, uma pequena aula do uso de cores e elementos para criar um estilo único – parede rosa claro, e teto listrado azul e branco, em resultado moderno e jovem.


 
E mais uma aula de proporção e ousadia – num ambiente de pé-direito alto, o azul-claro colore o teto e desce alguns centímetros abaixo do rodateto, causando uma sensação de amplitude ainda maior, mas sem perder a intimidade. 


 
O mesmo recurso foi utilizado neste dormitório, com o cinza cobrindo o teto e parte da parede, em contraste com o branco das paredes. Uma idéia inteligente, que dá aconchego ao quarto, e de fácil execução.


 
E até o preto pode subir ao teto, como prova este elegante living de teto abobadado. 



Enquanto escrevia este post, lembrei-me que nos anos 1990 pintei minha sala – parede e tetos – de terracota, em um apartamento de teto altíssimo mas cujo orçamento para a decoração era o oposto – muito baixo...rs. Deu certo, conferiu um drama ao mobiliário que tinha, e as pessoas se surpreendiam com este elemento. No caso, foi um artifício para driblar a falta de grana e compor um espaço original – e deu certo. 
Mãos à tinta, então!

j. wair de paula jr.
 

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